terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Calmo

Este fim de semana foi assim, calmo.

Passámo-lo no Alentejo, fomos depois de almoço, contigo a ver "O Livro da Selva" para chegares ao Alentejo acordado.

Queríamos ir experimentar o novo brinquedo do Avô R., uma moto 4.

Para tanto de manhã tínhamos comprado um capacete para ti, ara mim o velhinho ARAI que me acompanhou durante seis/sete anos de moto.

Quando te contei que antes não andava de carro, mas de moto ficaste espantado.

Despois tivémos a peripécia da moto ter umas chaves que não correspondiam a ela, seriam de outra, informei o avô desse facto e ele ainda foi a tempo de ir ao local onde a comprou para ver se as chaves lá estavam.

E estavam, mas a volta de moto ficou para domingo.

Domingo estavas "excitado" com a ideia de ir andar comigo.

Depois de andar um pouco sozinho, só para me ambientar, lá te pus à minha frente e fomos andar um pouco.

Como a moto tem um velocímetro digital ias entretido a ver a que velocidade íamos, quando chegaste disseste todo contente, como se algo de extraordinário fosse, que tínhamos andado a 36 kms/h. Uau.

Ainda demos mais duas voltas, estas maiores, em que de particular ressaltava que ias o caminho todo a cantar. E cantavas, cantavas... feliz.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Lutas...

...Tantas que nos fazem sorrir.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Evolução meteórica...

Ainda há poucos dias escrevias o teu nome com umas letras enormes e desalinhadas e agora, após uma semana, escreveste ontem o teu nome com uma perfeição que não queria acreditar que o escreveras sem a ajuda da mãe.

Porra, assim vai ser dificil acompanhar-te. ;)

Desenho do fds

No colégio promovem habitualmente o desenho do teu fim de semana.

Ontem a mãe disse-me que o teu estava muito bonito e que eu tentasse adivinhar o que era, ao que comecei:

"Desenhaste o Leonardo Da Vinci?"

"Mais ou menos isso." - disse a mãe.

"Ummm, o tanque do Leonardo Da Vinci?"

"Não."

"Ummm, a metrelhadora do Leonardo Da Vinci?"

"Não"

"O helicoptero?"

"Não"

"Então não sei... havia tanta coisa lá..."

"Foi algo que ele fez..." - boa pista pensei!

"Ah! Foi a ponte que o D. fez?"

"Correcto!" - disseste tu entusiamado.

"Fez-se a ele, à SRª que o ajudou e à ponte que construiu."

"Isso foi a R. que escreveu" - disseste tu.

"Claro, a Rita só escreveu aquilo que tu disseste que tinhas desenhado."

"Ah, pois foi."

E de um fim de semana inteiro elegeste um momento que considerava improvável de ser escolhido por ti mas, visto agora à distância, deve ter sido agradável conseguir, de uma dúzia de paus, descobrir como fazer uma ponte.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Parabéns...

Estão os dois de parabéns, o avô R., o meu pai, e tu.

O meu pai porque fez 53 anos e iniciou recentemente uma nova fase da vida que esperamos todos que lhe seja proveitosa.

Tu próprio já experienciaste as possíveis virtudes dessa nova fase,... ele foi pela primeira vez apanhar-te ao colégio. Sentiste-te feliz por isso, aliás, disseste a toda a gente que "O avô R. hoje vem-me buscar porque está aposentado!".

O avô está de parabéns por chegar a essa fase por vontade própria, foi opção dele, porque aí chegou depois de muito trabalho, porque está de boa saúde e poderá, se esta não lhe faltar, nem o juízo a ele e à avó, gozar ainda uns bons anos de qualidade de vida. Brindemos a isso.

O avô está de parabéns porque fez anos, e isto liga à outra questão, porque é que tu estás de parabéns também.

O avô R. sempre foi averso a comemorações de aniversários. Nunca queria comemorar, nunca queria que lhe cantassem os parabéns, não queria presentes.

Tu foste a pessoa que o pôs a sorrir no dia de anos por lhe cantarem os parabéns, há já alguns anos.

Desta fez foste mais longe, por acaso é certo, mas no dia do aniversário do avô fizeste um bolo no colégio. Aproveitámos e usámos esse bolo para fazer dele o bolo de aniversário do avô.


E uma vez mais o avô sorriu, aceitou que lhe cantassem os parabéns pelo aniversário e lá apagou as velas.

Quiseste estar sentado ao colo do avô.

Estava feliz o avô.

Tudo isto faz-me pensar que invejo em ti essa capacidade, esse condão de mudar as pessoas. Possivelmente porque já o fiz e já perdi esse condão.

Parabéns.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Lá se desembrulhou o presente

O presente de natal, a tosse, lá deu em qualquer coisa visível e atacável (lê medicável).

Sábado de manhã, depois de três noites de febre em crescendo, fomos ter com o Dr.LJ para te ver.

Folguei em ver-te mais independente, tirei-te a roupa do tronco e fiquei sentado deixando-te ir ter com o médico. Estiveste sempre só enquanto eras examinado. Bom, eu estava a 1/2 metros de ti, mas apesar de estar contigo, não estava ali em cima de ti, ao teu lado, fiquei sentado a olhar-te.

Por instantes pensei se sou eu que sou muito desprendido ou é a mãe que é presa de mais, porque habitualmente ela ladeia-te sempre, ainda que o exame seja uma mera oscultação.

Não sei... sei que fiquei feliz de te ver ir só e depois enquanto estavas sentado mostrares uma cara de orgulho, de rapaz crescido a ser visto pelo médico.

"Respiração, ok.

Ouvidos, ok.

Abre a boca e faz AH!... ora aí está, angina esquerda inflamada. Estás com anginas."

Exame concluído, vestir roupa e perguntei-te:

"Queres sentar-te ao meu colo ou aqui (apontando para a cadeira ao meu lado?"

"Aqui" - disseste enquanto te dirigias para a cadeira.

Lá ouvimos o que fazer, antibiótico de 12 em 12 h.

Domingo de manhã já não havia febre e voltavas a ter algum apetite.

Antes de saires do consultório viraste-te para o pediatra e disseste-lhe:

"Gosto muito de ti!"

Ele ficou desarmado, mas segundos depois lá reagiu com um sorriso e um, "Também gosto muito de ti."

E saíste confiante.

Há dias, quarta-feira, quiseste dizer-lhe isso mesmo, mas disseste-o tão baixo que ele não ouviu, foi como se não o dissesses. Na altura disse-te que devemos expressar os nossos sentimentos às pessoas porque elas gostam, tal como nós, de saber que há quem as preze. Mas da outra vez a voz sumiu-se...

Desta vez não me disseste nada, executaste... e eu fiquei contente por isso, por teres exteriorizado um sentimento dirigido a terceiros.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Isto promete

O primeiro dia útil do ano iniciei-o no Pediatra contigo por causa da tosse que não te larga. A mãe não podia deixar de ir trabalhar e lá fui contigo à clínica pediátrica.

Da outra vez, em Abril de 2007, tiveste uma pneumonia sem que os pais soubessem ler ou escrever, sem sintomas mais fortes do que aqueles que revelas hoje. Por isso desta vez esperámos uma semana e depois com o aparecimento de um pouco de febre decidimos levar-te ao médico para sossegar a nossa alma.

Desta vez o médico teve um relatório mais simpático,

"Por enquanto apenas constipado, vigiar, leva aqui um espectorante para tomar durante 5 dias e se persistir ou agravar venha cá no sexto dia para vê-lo ou antes se as febres forem elevadas".

BOM ANO

Diferente...

Pois é, a tosse que não te largava e a falta de vontade de juntar no esquema habitual com os amigos dos pais levaram-nos a uma passagem de ano diferente.

Sentados no sofá, projector ligado, colunas em bom tom porque não havia que preocupar-nos com as crianças de cima e fizemos uma sessão de cinema.

Querias ver o Star Wars 2. Eu ainda não tinha visto e isso constituia uma grande falha para acompanhar-te na tua nova temática.

Lá estivémos a ver o dito filme (gostei) e o ano novo, bom, esse entrou entre uma luta de sabre de luz e um beijo do casal enamorado, sem que se fizesse notar, como convém numa sessão de cinema que se quer imperturbável.

Depois foi rotinar o dormir e benvindo sejas 2008.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Presentes...

O Pai Natal deixou um presente inesperado:

Tosse.

Creio que terá sido, de todos, o presente de que mais gostaste. Ainda não a largaste...

Irra!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Autismo

Diz o dicionário da Porto Editora (Edição de 2004) que o autismo é:

  1. Estado mental caracterizado por uma concentração patológica do indivíduo sobre sí mesmo;
  2. ...
  3. alheamento do real (...).

Porque este Blog é uma conversa contigo meu filho mas, também é certo que vou visitando outros sítios similares a este, e outros nos vão visitando, não poderei deixar de expressar a todos os que vão visitando estas presenças da tua pessoa na minha alma,

VOTOS DE UM FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mal te vi...

Ontem foi um dia sui generis.

Vi-te de manhã até te deixar no colégio.

Depois fui trabalhar, quem te foi apanhar foi a Avó A. com que jantaste com a mãe e eu como tinha jantar do meu trabalho não te vi.

Cheguei tarde a casa, estavas a dormir. Como sempre com a mãe ao lado.

Beijei-te, acarinhei-te a face e sorri como se pudesses ver a minha felicidade por te ver, mas se não a vês creio que a sentirás.

Cruzei os braços do Homem-aranha para que soubesses que estive lá e fui dormir.

De manhã vi-te de novo a dormir.

Como hoje vais ao circo com a mãe, estiveram a dormir até mais tarde, pelo que, eu fiz a minha habitual rotina, aliás aligeirado porque não tive de te despachar pela manhã, e quando saí ainda dormias...

Estes momentos fazem-me perceber o quanto te amo, o quanto "fazes-me falta"...

Hoje acho que vou encurtar o dia de trabalho para ter um tempo contigo.

E já tenho ideias...ai pois tenho.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Um dia tinha de ser

No teu colégio há o Sr. M. que é um senhor com os seus cinquenta e muitos que tem a particularidade de decorar o nome de toda a gente como se nada fosse. Como saberás o teu colégio tem seguramente mais de cem pessoas a frequentá-lo, mais pais...

Bom, sempre invejei esta disponibilidade mental.

O teu colégio tem duas entradas uma para pessoas, onde habitualmente o Sr. M. está, e uma outra para os transportes motorizados, onde por vezes o Sr. M. está, por razões que até hoje não verificaras

Depois de passarmos por ele hoje de manhã nesse portão para as carrinhas do colégio e do habitual bom dia... começaste a sussurrar:

"Pai, pai, viste aquilo?!? O Sr. M. estava a fumar. O Sr. M. fuma!"

"Pois é! Fuma sim Srª, por isso é que ele por vezes está aqui, é para que vocês não o vejam a fumar... porque ele sabe que fumar faz mal à saúde."

Passados dois anos finalmente apercebeste-te do facto, os parabéns ao Sr. M. que conseguiu esconder este facto tanto tempo de ti. E a ti porque demonstraste capacidade de observação, sim porque o Sr. M. tenta a todo o custo dar umas "passas" apenas quando não há crianças à vista.

Anúncio à hora do banho...

Ontem enquanto de despias para te dar o banho.

"Sabes pai, eu e a M. falámos e vamos ser sempre namorados."

"Ai é filho, e quando é que acordaram isso, foi hoje?"

"Não pai, como sabes a M. está doente por causa do frio da patinagem no gelo. Lembraste quando fomos patinar com ela?"

"Claro que sim filho, mas pensei que a conversa tivesse sido hoje porque entretanto ela já estivesse bem."

"Não, ainda não foi ao colégio, ainda está doente."

"Talvez esteja apenas de férias com os pais!..."

"Agora tem é que falar com o R."

Após uns segundos para eu tentar contextualizar a afirmação...

"Falar com o R? Porquê?"

"Para ela lhe explicar que agora á não vai ficar para sempre com ele, mas comigo. Que agora ela é minha namorada.

As relações são mesmo assim "para sempre enquanto duram", feliz por as abordares assim e expectante de que encontres sempre aguém que sinta o mesmo para que sejam felizes "para sempre".

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Daqui a pouco

Vou sair do trabalho e esperar por ti em casa, a mãe vai lá deixar-te antes de ir ao jantar do trabalho dela.

Vou preparar o jantar e brincar contigo, para depois te deixar deitado, prestes a dormir, com o avô materno lá por casa enquanto eu vou para a minha sessão semanal de futebol.

Estou dividido entre fazer-te uma lasanha de atum ou aproveitar o arroz de ervilhas e cenoura que fiz domingo, este para acompanhar qualquer coisa feita no momento.

Dê por onde der lembrei-me agora da questão que me colocaste há pouco tempo:

"Porque é que vais jogar à bola todas as terças feiras pai?"

Religião meu filho, religião.