O presente de natal, a tosse, lá deu em qualquer coisa visível e atacável (lê medicável).
Sábado de manhã, depois de três noites de febre em crescendo, fomos ter com o Dr.LJ para te ver.
Folguei em ver-te mais independente, tirei-te a roupa do tronco e fiquei sentado deixando-te ir ter com o médico. Estiveste sempre só enquanto eras examinado. Bom, eu estava a 1/2 metros de ti, mas apesar de estar contigo, não estava ali em cima de ti, ao teu lado, fiquei sentado a olhar-te.
Por instantes pensei se sou eu que sou muito desprendido ou é a mãe que é presa de mais, porque habitualmente ela ladeia-te sempre, ainda que o exame seja uma mera oscultação.
Não sei... sei que fiquei feliz de te ver ir só e depois enquanto estavas sentado mostrares uma cara de orgulho, de rapaz crescido a ser visto pelo médico.
"Respiração, ok.
Ouvidos, ok.
Abre a boca e faz AH!... ora aí está, angina esquerda inflamada. Estás com anginas."
Exame concluído, vestir roupa e perguntei-te:
"Queres sentar-te ao meu colo ou aqui (apontando para a cadeira ao meu lado?"
"Aqui" - disseste enquanto te dirigias para a cadeira.
Lá ouvimos o que fazer, antibiótico de 12 em 12 h.
Domingo de manhã já não havia febre e voltavas a ter algum apetite.
Antes de saires do consultório viraste-te para o pediatra e disseste-lhe:
"Gosto muito de ti!"
Ele ficou desarmado, mas segundos depois lá reagiu com um sorriso e um, "Também gosto muito de ti."
E saíste confiante.
Há dias, quarta-feira, quiseste dizer-lhe isso mesmo, mas disseste-o tão baixo que ele não ouviu, foi como se não o dissesses. Na altura disse-te que devemos expressar os nossos sentimentos às pessoas porque elas gostam, tal como nós, de saber que há quem as preze. Mas da outra vez a voz sumiu-se...
Desta vez não me disseste nada, executaste... e eu fiquei contente por isso, por teres exteriorizado um sentimento dirigido a terceiros.