segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pequenas, várias

Ontem almoçámos com a C.

Depois de almoço fomos à Costa, onde fomos conhecer o parque do INATEL, nunca lá tinhamos estado.

Chegaste a dormir mas, quando te apercebeste que era para um parque que íamos, quiseste levantar-te e lá me fizeste voltar com a cadeirinha para o carro, cadeira que está pequena para o teu tamanho, já sobram pernas, cabeça e braços... :)

Depois de brincarmos um pouco fomos ver o mar, subimos uma duna muito íngreme, facto que te divertiu imenso. Depois estivémos a ver o mar, a apanhar uns borrifos de mar e retornámos ao parque onde brincaste mais um pouco.

Entre estes momentos bem vividos ficaram-me dois:

  1. No parque enquanto saltavas de uma diversão disseste à C., "Eu sou o Luke Skywalker." e ela não se ficando atrás disparou um "E eu sou um dinóssauro!"
  2. Andavas com uma pedra na mão que a C. queria, a mãe dela a L. disse-lhe "Deixa estar a pedra com o D. que a Pedra é dele!" e a C. mais uma vez teve resposta, "Não é não, a pedra é da rua!"

Ambiente na deslocação...

Enquanto nos deslocávamos de carro para ir almoçar pediste para ouvir Ricardo Azevedo.

Lá carreguei no CD pretendido e, depois da primeira música estar a tocar, a melodia calma e relaxante ecoava nas nossas cabeças, pelo que, disseste:

"Podes tirar essa música... senão eu deixo-me de dormir!"

Novas tecnologias

Desde que descobri que se escrever um sms no telemóvel e depois não o enviar ele fica guardado na caixa dos rascunhos, uso este método para usar mais tarde as frases ou os momentos que me deixaste no espírito.

A mãe devia de andar a pensar que eu andava a trocar sms com alguém, mas ontem percebeu que não, ainda não sabe é que uso aqueles sms para consrtuir este espaço.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Comentário ao aniversário

"É lecas! Já tem muitos anos..."

Disseste tu a respeito dos 79 anos que a bisavó B. fez hoje.

Adeus pai

Hoje de manhã, quando acompanhava um cliente meu no seu carro, apercebi-me de uma sonoridade... bastaram os primeiros acordes e a música dos Delfins que pertence à banda sonora do filme que titula esta lembrança veio-me à cabeça.

O filme trata, do que me lembro, da fantasia de uma criança a passar bons momentos com o seu Pai, uma fantasia que depois se descobre ter origem no facto do pai mal acompanhar o seu filho no dia-a-dia, por ser um pai ausente.

Recordo-me de ir ver o filme ao cinema, era adolescente.

Hoje recordei o sofrimento, a tristeza que senti ao ver aquele filme, ao perceber que tudo se devia a uma coisa simples, a ausência de um pai.

Por mais que me digam que um pai deve acompanhar o seu filho o resto da vida ao lado da mãe, soube por experiência, e verifico todos os dias noutros casos, que não é por os pais continuarem juntos que os filhos são melhor acomapnhados, de igual modo não é porque os pais se separam que os pais (pai ou mãe) são menos ou mais presentes.

No fundo é uma decisão interior do progenitor ou é uma capacidade de mostrar ao filho que ele é amado, acima de tudo e sem condicionalismos.

Quando vi aquele filme possivelmente fui marcado por este desejo que tenho de ser um pai presente. Não consigo conceber a minha paternidade de outra forma. Acho que o sou, mesmo quando por vezes me dizem que não.

Hoje, fluiu em mim o sentimento de que o único objectivo presente é fazer-te sentir, todos os dias, que te amo e que estarei sempre ao teu lado para dizer "presente!", mesmo nos dias em que possamos não nos ver.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Os teus cognomes

Habitualmente chamo-te de:

  1. Pilas (o mais frequente);
  2. Cabecinha d'oiro (habitualmente seguido de uma festa na mesma).

Papa-restos

É o meu cognome lá em casa, fruto de tratar de comer o que deixas no prato para que não se estrague a comida.

Felizmente exerço a actividade com conta peso e medida, razão pela qual estas duas se mantêm mais ou menos inalteradas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Surpresa

Chegaste a casa e fizeste a rotina habitual, antes de entrarmos em casa, ver se há correio...

E havia.

E sorriste.

E recebeste o primeiro postal da tua vida.

De Dublin...

Reencontro...

Entrei na casa dos meus pais, já depois da hora de jantar, ansioso por te ver, mas receoso pela reacção. No fundo eu estava a prevenir o meu ser para que, em vez de um abraço e um beijo, me recebesses aborrecido/zangado.

Quando entrei vi-te a manga do casado debaixo da mesa, os avós a rirem e a minha mãe disse-me, "O D. está na casa de banho."

Pensei, OK, queres brincadeira significa que não estás aborrecido.

Depois lá entrei na brincadeira até a dado momento dizer, "olha o D. está aqui debaixo".

Saíste debaixo da mesa e eu recebi-te de cócaras, abraçaste-me, agarraste-me, com força, com ansia, a mesma que eu tinha de te rever, querias subir-me para o colo e quase caía com o teu peso... que bom.

Apertei-te envolvendo-te com os meus braços entregando-te toda a minha energia positiva, todo o meu amor, disse-te o quanto tinha saudades de ti, disse-te também que te amava.

Depois, depois quiseste ficar no meu colo enquanto eu comia, quiseste ir atrás de mim até à cozinha, como tu dizias "não quero que vás embora outra vez".

Descansei-te, disse-te que não te preocupasses que mesmo que eu fosse embora lembrava-me sempre muito de ti, que te amava na mesma.

Depois disseste à mãe que um dia querias ir com o pai viajar.

E eu disse-te está bem, "um dia vamos os dois passear de avião, se a mãe deixar vamos só os dois, mas temos de ir pouco tempo para a mãe não ficar cheia de saudades".

"Não, quero ir muitos dias, muitos..." - replicaste tu.

"Depois vemos isso mais tarde" - respondeu a mãe."

Quase ao sair da casa dos avós, e enquanto estava de cócaras a pôr o fecho do casaco, disse-te:

"Vês filho foi ou não foi como o pai te escreveu, que iamos estar longe mas nos íamos lembrar um do outro, e que, quando eu chegasse, estaríamos na mesma e a continuar a gostarmos um do outro?"

A resposta veio em forma de um abraço apertado com a tua cabeça ao lado do meu ouvido a dizer:

"Sim pai, mas tinha saudades de falar assim ao pé um do outro!"

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Chegada

Cheguei com o pensamento disperso entre ti e os meus futuros vôos, apenas a certeza do sítio onde quero ir e sobretudo a certeza eterna do quanto te amo.

Dou por mim a pensar se farei bem em adiar o prazer de te rever.

Cheguei cedo, mas só devo ver-te depois de jantar, isto porque vou acompanhar a mãe numa mini-cirurgia.

Pergunto-me se não deveria já ter-te procurado...

Pergunto-me ainda se me receberás de braços abertos e me permitirás abraçar-te...

Se conseguirei demonstrar que, apesar de ter estado fora, continuo o mesmo e continuo a sentir por ti o mesmo, Amor!

Das tuas presenças em Dublin

Das muitas que me fizeram lembrar-te, enumero estas:

  1. Quando cheguei tratei de ir comprar um postal para te enviar, também enviei um aos meus pais e um à avó B., do Alentejo;
  2. Primeira conversa telefónica estavas chateado comigo, falaste pouco, uns quantos "sim!" e pouco mais, deixaste-me com o sentimento de pequenez, de incapacidade de alterar o teu humor;
  3. Segunda conversa telefónica, sábado de manhã, estavas ocupado a jogar computador, lá disseste que dormiste bem e pouco mais;
  4. Terceira conversa telefónica para te desejar sonhos cor de rosa;
  5. Quarta conversa telefónica, domingo, estavas contente e animado por estares num restaurante a que adoras ir, acrescentaste que te tinha saído um boneco do Indiana Jones;
  6. Cada jardim público tem um parque infantil, pelo que, andar num jardim equivalia a lembrar-me de ti e a desejar estar a partilhar aquele espaço contigo.
  7. Descobri um bar/restaurante do capitão-américa que me fez relembrar todas as aventuras que criamos juntos.

Partida

Meu filho, habitualmente das viagens de avião gosto de duas partes, levantar vôo e aterrar.

São esses os únicos momentos em que se "sente" o avião.

Gosto particularmente do acelerar dos motores do avião, transmitem-me prazer, gosto de sentir aquele empurrão de força e sentir que se inicia o vôo.

Desta vez, quando parti, enquanto os motores aceleravam, o avião ganhava velocidade e depois se erguia nos céus, para seguir o seu caminho, os meus olhos turvaram-se de lágrimas.

Materializava-se ali, em poucos segundos, o sentimento de que para seguir o meu caminho tenho de levantar vôo e deixar-te.

Por muito que saiba e sinta que vou ter de voar, partir... partir fez-me chorar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A primeira carta que te enviei

Para ti aos 14 de Fevereiro de 2008.

Meu querido e amado filho,

Estou certo de que hoje, quando leres a carta, não esperavas esta surpresa.

Lembraste de me pedir uma carta? Ei-la!

Talvez pensasses que me tinha esquecido, por vezes os adultos ou os pais parece que se esquecem dos pedidos dos filhos mas, habitualmente, os pais não se esquecem dos filhos, sobretudo quando são como os teus, sempre atentos à tua pessoa e desejosos de te ver feliz.

Assim como parece que os pais se esquecem das coisas que as crianças pedem, porque não vão a correr fazê-las, às vezes os filhos têm medo que os pais se esqueçam delas quando não estão com elas.

Este fim de semana passá-lo-às com a mãe, eu estarei esse tempo todo longe de ti, mas não me esqueço de ti, como nunca me esquecerei de ti. Aliás, se há coisa que posso escrever agora para adivinhar o que sinto quando ouves as minhas palavras é que hoje (quando ouves as minhas palavras) já me lembrei de ti imensas vezes.

Arrisco dizer que é quando estamos longe de quem amamos que mais vezes nos lembramos deles, bom não estou a dizer que não me lembro de ti todos os dias, como também não digo que seja bom estar longe de ti, não, o que digo é que quando estamos longe das pessoas lembramo-nos mais vezes delas.

Desta vez vim passear sozinho, sem ti e sem a mãe, gostava mais que estivéssemos todos juntos ou que estivessemos os dois a passear mas, desta vez, o pai precisava de um pouco de tempo para ele, compreenderás isso, mais ainda quando na segunda-feira eu regressar e tu verificares que o teu Pai continuará a ser o mesmo e a amar-te com a mesma intensidade.

Sabes onde estou no momento em que a mãe te lê esta carta? Disseste Dublin? Talvez tenhas dito e se o fizeste parabéns, se o não disseste vou mostrar-te onde ando eu...

Com a ajuda de uns mapas vou tentar mostrar-te onde o avião me levou, espreita aí do outro lado da folha:


Isto é a Irlanda, que em Inglês se escreve IRELAND. Dublin é a capital da Irlanda, assim como Lisboa é a Capital de Portugal. Na Irlanda falam Inglês, como no país do Elton John, a Inglaterra lembraste? A moeda que eles usam é igual à nossa, são os EUROS, em Inglaterra usa-se outra moeda, a Libra.


A Irlanda fica na Europa como nós e é uma ilha enorme, uma porção de terra rodeada de mar! Agora será que consegues descobrir esta ilha no mapa seguinte? Pede ajuda à mãe se precisares...


E que dizes a pintar com a mãe a ilha onde o pai está? Pinta-a de verde porque a Irlanda é um país muito verde e depois, se quiseres, pinta Portugal, pergunta à mãe onde está e pinta-o com a cor que quiseres. E esta hein? Uma carta que podes usar para pintar, espero que seja uma boa surpresa.

Quando regressar espero ter muitas fotografias para te mostrar.

Agora resta-me desejar-te um excelente fim de semana, diverte-te, brinca muito e se te lembrares de mim recorda apenas isto, que o pai te ama muito e se enche num sorriso quando se lembra de ti.

De quem muito te ama, O Pai

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Obrigado CTT

Pois é venho aqui prestar o meu agradecimento aos CTT porque foram eles que, seguramente, acrescentaram às palavras que tu já usas de quando em vez, como tótó, estúpido, parvo, porcalhão, uma de mais alto gabarito e requinte.

Ontem a palavra que usaste várias vezes foi

FÓNIX.

Os CTT usam Phone-ix, mas claro que tu, meu filho, estarás a usar a versão mais hard da palavra.

É caso para dizer, FÓNIX!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Já tinha ouvido dizer

Já tinha ouvido que a resistência a ir para os colégios, simulando dores de barriga e afins têm habitualmente uma razão.

Domingo asseguravas que ias ter dor de barriga na segunda-feira por isso não podias ir ao colégio.

1+1=2, ou seja, pensei logo que devia de haver problema e perguntei-te o que é que se passava no colégio, se havia alguma razão para não quereres ir ao colégio.

Lá explicaste que tinhas apanhado tareia de cinco meninos da sala do lado e que tinhas chamado a R., a educadora, mas ela não te tinha ajudado. Acresentaste que ninguém brinca contigo e que andas lá sozinho.

Resultado ontem lá fomos levar-te ao colégio demonstrando união e compreensão pelo teu sofrer, lá expusemos a situação e depois lá estiveram vocês a trabalhar a questão com as educadoras.

De tarde, quando te fui apanhar ao avô R, pessoa que te tinha ido buscar ao colégio, eras outra criança, cheia de vivacidade, felicidade, energia. As coisas estão estabilizadas, pelo menos, por agora.

No meio disto tudo não me canso de te dizer e desejar que trates de te defender em vez de te preocupares apenas em chamar a R., trata de arrear nos que te batem sff. Bate-lhes primeiro, vai à R. depois.

Hoje saíste bem disposto para a rotina, espero que tudo continue bem.