quarta-feira, 9 de abril de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Azar de uns, sorte de outros

Mãe doente, tenho de sair mais cedo para te apanhar e vamos ao cinema e jantar juntos.

A mãe que me escuse, mas fiquei feliz por poder/ter de ter este tempo contigo.

E vamos ver o HORTON que já viste, mas ficámos de ir os dois juntos.

Numerologia/Astrologia

Nome: D---

Idade: 4 anos, 11 meses e 16 dias.

Signo: Touro

Planeta regente :Vênus

Elemento :Fogo

Número de Ambição : 5

Número de Personalidade : 1

Número de Expressão: 6

Número de Destino: 4

Segundo seu dia de nascimento.....Você nasceu sob a influencia do 22, um número principal. Conforme seu modo de encarar as coisas, poderá sentir-se feliz ou infeliz: todavia, e difícil você chegar sozinho a uma conclusão. Você gostaria de encontrar um mundo melhor, permitindo-lhe manter o equilíbrio mental e os pés na terra. Mostre ao mundo o seu interesse pelas coisas públicas, já que as causas humanitárias e os movimentos de ajuda se adaptam a suas qualidades. Suas ideias te levam a buscar horizontes mais amplos do que a expectativa média das pessoas, mas você precisará de coragem e decisão para manter os olhos nos seus ideais e os pés terra.

A sua ambição é .... Amar a liberdade, a mudança e a variedade, ter pensamentos progressistas. Ter possibilidades de criação.

Você é...Dinâmica, independente, original, criativa e muito trabalhadora. Demonstra coragem, liderança, decisão e desejo de poder.

Segundo seu número de Expressão.... Sempre buscando a perfeição em tudo que lhe diz respeito. Tem instinto do belo, da cor e da arte. Essencialmente prático, podendo arcar com qualquer responsabilidade no lar ou em esfera mais ampla (numa organização ou comunidade). Possui diplomacia e equilíbrio.

Segundo seu número de Destino ... Ser alguém prático e organizado. Seu destino te colocará sempre numa roda viva. Mesmo que tudo indique riqueza, esta somente será conseguida através de muito trabalho que exigirá atenção constante Mais do que isso: haverá ocasiões em sua vida em que você precisará fazer uma grande economia e assumir trabalhos e deveres, muitas vezes devido a sua própria saúde. Contudo não de as costas aos demais, pois sua contribuição aos outros será essencial. Seu destino representa um alicerce e você deve ser paciente, pois sabe quanto trabalho é necessário para torná-lo resistente. As coisas chegam devagar para você. Seja uma pessoa responsável, eficiente e disposta a trabalhar muito, deste modo alcançará o sucesso. Não desanime ante os deveres e obrigações, já que você estará preparando o futuro.

Fomos à bola

Ontem!

Ver o Sporting com o Braga.

Fomos com a prima J. e o pai, com o padrinho J., e o Amarelo.

No dia anterior quando a mãe te quis convidar para ires ao Disney no Gelo disseste,

"Mãe, não porque já combinei com o pai e amanhã vou ao futebol com ele."

Mas conseguiste ir com a mãe à Disney no Gelo e depois ir ao futebol com o pai.

Encontrei-te numa esplanada em Telheiras a lanchar com a mãe, correste para mim para me abraçar, que bons que são os abraços que me dás assim, depois perguntaste-me logo:

"Pai trouxeste o meu cachecol?"

Lanchaste e lá fomos ver o jogo, encontrámos os demais e lá subímos às bancadas.

Na zona onde queríamos ver a bola não havia lugares para todos, então, quis colocar-te ao meu colo, mas tu peremptório disseste,

"Quero sentar-me numa cadeira só para mim" - e tens razão em querê-lo filho.

Depois desci para a fila da frente deixando-te ladeado pelo Amarelo e pela prima J.

Entretanto pensava se não devia ter pedido ao Amarelo para se sentar ele à frente para ser eu a ficar ao teu lado, mas depois pensei que assim estavas a partilhar o contacto com uma pessoa que vês menos vezes do que o pai, sei que gostas dele e dela, a prima, por isso pensei que não me devia sentir mal por te dar corda em vez de te ter ao lado.

Depois pensei, queira o meu clube marcar golos e faço a festa com ele, e assim foi, festejámos duas vezes e de que forma hein filho, agarrei-te no meu colo fiz-te pular, gritámos golo, gritámos Sporting.

Os rapazes marcaram dois golos quase de seguida e por isso comemorámos duas vezes de forma exuberante, o padrinho J. também que era ele quem estava comigo.

O entusiasmo foi tal que pouco antes de acabar a primeira parte vi-te triste e pensei que tivesse acontecido alguma coisa com a prima, mas não, quando te pus ao colo para a conversa "olhos nos olhos" disseste-me,

"Eles nunca mais marcam golos e assim não vais fazer-me aquilo que fizeste há pouco tempo!"

Não fosse o ar triste e o facto de te puderes sentir gozado com o meu riso teria rido imenso com a situação, porque a tua tristeza era a de que não ías comemorar mais daquela forma.

Dom ou não, a verdade é que os rapazes não marcaram mais nenhum golo, mas isso não impediu que fizessemos mais uma comemoração no início da segunda parte com a menção de,

"Agora fazemos esta vez e depois só fazemos mais se o Sporting marcar golo!

domingo, 6 de abril de 2008

Amigdalas

Esta semana estiveste de estaleiro de terça-feira de noite até sexta-feira de madrugada (última altura em que tiveste febre).

Terça-feira as dores de barriga e o cheiro, o cheiro, da boca diziam tudo, amígdalas de novo. A ver se não tens a mesma sina que eu que as tirei quando tinha 5/6 anos.

Ontem e hoje estiveste bem, felizmente. Esta semana regressas à rotina.

28.03.2008

Neste dia o pai e a mãe tinham um compromisso comum, por isso fomos pôr-te ao colégio juntos.

Dois dias antes começaras a ir sozinho para a sala, deixo-te aqui, no portão, mala nas costas e lá vais tu sozinho o resto do percurso.

Perguntei-te, "Então vais sozinho?", respondeste afirmativamente de sorriso nos lábios, a mãe olhou-me com ar de censura e depois lá foste com um passo rápido, braços no ar, sorriso nos lábios, nem olhaste para trás no caminho.

A mãe ora olhava para ti com ar preocupado, ora olhava para mim com um ar de quem pudesse batia-me.

"Vamos?"

"Não concordo com isto! Isto não pode ser assim! E se lhe acontece alguma coisa!"

"Mas acontecer o quê?"

"Eu não quero que isto aconteça outra vez. Nem sei se chegou à sala. Tu confias em todos os pais que estão aí no colégio?"

"S. mas nem confio nem desconfio, acho natural que ele faça o percurso par a sala sozinho, não lhe faz mal, tens medo do quê?"

"Ah e se alguém agarra nele e o leva"

"S. ele está dentro do colégio..."

"Não concordo, já disse. É por isto que as coisas nunca correrão bem contigo, porque tu decidiste sem me consultar e isto é uma coisa com a qual não concordo!"

"Eu não decidi nada, foi ele que quis..."

"E se ele quisesse atirar-se a um poço!"

"..., apenas não o impedi porque não tenho medo que aconteça nenhum dos cenários que tu para aí descreves... mas tens medo do quê? Que ele se torne autónomo, qual é o teu receio de lhe dar autonomia, queres tê-lo sempre dependente de ti? O Pilas precisa de se tornar autónomo, percebes isso?"

"Isto não tem nada a haver com autonomia. Eu não quero que ele vá sozinho."

"Porquê? Ainda não me disseste do que tens medo..."

"Porque tu nunca sabes se ele chegou à sala."

"Ok, então vou falar com as educadoras e pedir-lhes que elas me acenem da janela quando ele chegar à sala para eu o deixar descansado e tu fazes o mesmo. Assim já sabes se chegou à sala... Pode ser?"

"Sim, assim pode ser."

"Como vês eu consigo falar, ouvir-te e até propor soluções que agradem a toda a gente, não basta dizer que não ou que sim, explicar as coisas ajuda. Assim podemos chegar a uma plataforma de entendimento. Como vês não será por mim que as coisas no futuro não correrão bem."

De tarde a R., a tua educadora, mostrava-se bastante favorável à tua nova autonomia e fazia uma cara estranha quando lhe contei que a tua mãe queria que elas nos acenassem da janela para dizer que chegaste, e eu disse-lhe "Também acho que não era necessário, mas se a mãe assim fica mais descansada, porreiro, porque assim não deixa de vir sozinho e isso é que importa."

Reencontro

Ontem reencontrámos dois velhos amigos do Pai que vieram de longe.

Eram pessoas que faziam parte da nossa rotina quando eras pequeno, muito pequeno, há cerca de um ano atrás, ou talvez mais, rumaram ao estrangeiro e agora já não os víamos há uns bons meses, não recordo quantos porque não tenho um blog pessoal, apenas este que me ajuda a guardar momentos teus, nossos, meus mas sempre relacionados contigo.

A forma como abraçaste o J. quando o viste o aperto que empregaste, a força, o entusiasmo, deram-me a certeza de que por mais que as pessoas estejam longe de ti, quando gostas delas e elas de ti, tu recebe-as de braços abertos.

Foi bom ver aquele abraço.

Espero que em breve a zanga da separação dos teus pais não te impeçam de dar-me uns abraços daqueles.

Entretanto revi um casal que teve recentemnte um filho e voltei a sentir, olhando para eles que o mais triste da minha estória é a falta de reconhecimento da mãe pelo que fui para ti, até mesmo para ela, mas para ti isso, sim, entristece-me imenso.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Promessas

Há tempos prometi-me que, quando saísse de casa, teria de exteriorizar de alguma forma a minha eterna aliança contigo, a minha eterna aliança de amor contigo.

Nunca me imaginei a fazer uma tatuagem, nunca, mas hoje prometi que farei uma e mais contente fiquei quando tive esta conversa contigo há cerca de um mês, em dia que não posso precisar:

"O pai um dia vai fazer uma tatuagem."

"A sério pai? - com ar espantado.

"Sim!"

"E vais fazer daquelas que ficam na pele para sempre?" - sabes que há umas que ficam na pele para sempre, porque há um programa na TV que a mãe costuma ver e que tu já viste também alguns episódios, e há aquelas que tu próprio usas de decalque na pele que desaparecem com o banho.

"Sim filho vou fazer uma das que ficam na pele, aqui!" e indiquei-te o meu braço esquerdo. "E vou fazê-lo porque quero deixar na pele uma coisa que vai existir para sempre".

E vou fazer uma tatoo que consistirá numa aliança (ainda não sei bem como) no braço esquerdo, porque é o do coração, terá o teu nome e dois simbolos chineses, o do amor e o da eternidade.

Fiquei feliz por perceber que sabes que aquele tipo de tatuagens nos acompanha o resto da vida, porque ela será a minha exteriorização para ti e para o mundo que o meu amor por ti será eterno e me acompanhará para o resto da vida, no matter what!

Esperar

Esperar é uma virtude filho, por vezes temos de saber esperar.

O tempo, que por vezes nos parece fugir das mãos... o tempo, esse é o melhor meio de nos fazer um dia entender/perceber que tudo tem um tempo, tudo tem um ritmo, tudo um dia fará sentido, mesmo aquilo que hoje não reconhecemos nenhum.

27-03-2008


Fomos ao cinema ver "As crónicas de Spiderwick".

Viste o filme ao meu colo.

Ainda me ri com a tua auto-censura, de vez em quando a música levava-te a tapar os olhos, mas as cenas nem eram violentas, mas para quem tem ouvido para a música, como tu, a sonoridade da cena fazia-te temer a imagem.

A mãe e eu a dada altura questionámo-nos se fizemos bem em deixar-te ir ver o filme.

No fim acabaste por deixar de ver poucas cenas, uma cena que parecia inofensiva acabou por ser das mais violentas, quando o JARED, o herói espeta uma espada no PAI, que era o Ogre, o mau da fita, disfarçado de pai dele, o Ogre tinha a capacidade de assumir a forma que quisesse e disfarçou-se de Pai do Jared para ficar com o livro, mas o Jared apercebeu-se com uma resposta do "pai" que era o Ogre e tratou de o aviar.

Acabaste assim por ver uma das cenas mais violentas do filme, que motivou -n perguntas tuas depois do filme.

A noite passaste-a sem sonhos maus, os dias seguintes também o que a mim é representativo da tua maturidade precoce no que a filmes diz respeito.

Muitas vezes pergunto-me se não exageramos, mas o futuro o dirá.

O filme colocou-me a pensar também na fase que vivo, o Jared é uma criança cujos pais se acabaram de divorciar e muda de casa com a mãe e irmãos.

Não gostei do estereótipo transmitido no filme do pai que deixa a familia porque arranjou outra mulher.

Hoje separo-me, ou tento porque ainda não se consumou, ainda não encerrei este ciclo, não para ir ter com outra mulher, mas porque as coisas com a tua mãe não funcionam. Acredito que não serei o único caso, haverá muitos pais que deixam de viver com as mães por razões bem diferentes do encontro de um novo amor.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Transportar emoções

Hoje os avós paternos rumaram a Cabo Verde onde vão ficar 20 dias. Quem me dera!

Este fim de semana disseste-me que um dia ias se fossem menos dias, mas também poderiam ser muitos dias se "a mãe ou o pai fossem, basta um e já não há problema" (sic).

Hoje a mãe, como trabalha em Lisboa, levou os avós para o aeoroporto e eu e tu ficámos sós.

Ia a rotina matinal a meio, diga-se sem qualquer stress, tudo alto astral, toca o telefone.

Calculei que fosse a mãe. Dito e feito, atendi, "bom dia", "sim está tudo bem com ele, estamos quase despachados", "ok vou passar-lhe o telefone"...

Oiço a conversa que tens com a mãe, perfeitamente normal, muito entretido também com os desenhos animados e de repente, como te é habitual quando não queres falar mais dizes-lhe "tchau!" e dás-me o telefone que trato de desligar.

Mal pouso o telefone... este de novo a tocar. A mãe..., atendo:

"Sim?!?"

"O D. estava a choramingar?"

Assim com ar de parvo "Como?"

"Pareceu-me que o D. estava a choramingar?"

"Ó S. o D. está bem não choramingou nada, não está triste, está bem, quando é que te convences que o puto não fica triste só por não te ver, quando é que te convences que o D. consegue viver bem sem ti? Que não precisa de ti a toda a hora?"

Do outro lado a mãe refilava porque ela dizia ter-te sentido choramingar e que estavas triste.

Malhar em ferro frio de nada serviu, e lá te passei o telefone para que vocês falassem:

"D. estás triste?"

"Não!"

"D. tu quando falaste há pouco com a mãe não choramingaste?"

"Não!"

E, provavelmente mais triste porque tu não estavas triste por sentires falta dela, lá se despediu de ti de novo.

Relembro neste episódio as vezes em que ficavas só comigo e a mãe estava sempre muito preocupada que estivesses muito triste por não a veres... que pena que tenho que ela não possa ser mosca para ver que a tristeza é apenas dela, a choraminguisse é apenas dela, que a dependência é dela, não tua.

Será assim tão dificil aceitar que tu consigas estar com outras pessoas, nem falo comigo, com outras pessoas que não nós sem que isso seja sinónimo de te sentires triste, angustiado, abandonado...

O amor não é dependência, será que a mãe algum dia vai perceber isto? Provavelmente é melhor nem perceber, porque se um dia perceber acho que a ruína dela não será apenas a dos seus ideiais de relacionamento.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Non sense - 01

Agora a mãe decidiu mudar-te as rotinas do banho, um dia disse-me:

"o D. tem de passar a tomar banho todos os dias sem excepção".

Antes deste anúncio era eu que te dava banho de manhã, depois do pequeno almoço, antes de ires para o colégio.

Após o anúncio é a mãe que te dá banho à tarde, habitualmente antes de eu chegar.

Se eu chegar e perguntar se posso dar-te banho responde-me que ela tem estado a trabalhar e por isso agora vai dar-te banho para ter tempo contigo.

Este fim de semana, no Domingo, quis dar-te banho antes de almoço, a resposta foi de que não porque ela tinha estado a limpar a casa. Perante a minha resposta "Mas eu também o estive a fazer, não?"

Disse-me que visto que me despachara mais cedo, eu já brincara contigo.

Confrontada com um,

"Mas, S. tens sido tu que lhe tens dado agora sempre o banho, todos os dias da semana, não me podias deixar dar-lhe banho agora?"

A resposta foi "Não!"

E eu respiro fundo e considero que este não é o momento de lutar.

Lutar

Um dia em conversa de adultos com a mãe ela disse-me que eu não lutava por ti.

De facto ela tem razão quando diz que não luto por ti, se se quiser referir a evitar ter de lutar com ela para ter espaço numa relação contigo, tem razão de o dizer se para ela lutar significa viver com ela infeliz porque tenho com ela um filho, tu!

Este sábado a mãe mostrava-se angustiada sobre o que te iria dizer sobre a nossa separação. Pensando que falava verdade perguntei-lhe, o porquê da angústia? E a mãe respondeu-me:

"Porque vou dizer-lhe o quê? Que quando temos dificuldades devemos desistir, não vale a pena esforçarmo-nos? Mesmo por um filho?"

Claro que isto não é uma preocupação da mãe, é uma boca ao pai, como muitas que vou ouvindo mas, a bem da minha relação contigo, vou reagindo serenamente como reagi:

"Não S., apenas tens de dizer ao D. que os pais dele deixaram de gostar um do outro, mas que quanto a ele quer o pai quer a mãe continuarão sempre a gostar dele, sempre, para o resto da vida. E, claro, esclarecer que ele não é de forma alguma responsável pela separação dos pais."

E não és, de facto...

A nossa separação aconteceu mesmo antes de tu nasceres, a nossa separação tem raízes anteriores.

Hoje a mãe mantinha-se disponível para insistir nesta relação com mais um filho... como se os filhos trouxessem amor aos casais, como se os filhos não devessem ser o fruto do amor, ou seja a consequência de um amor e não a sua causa.

Hoje procuro, à minha maneira, ter no futuro a minha familia contigo, e para se ter uma familia não precisamos de estar sempre juntos, mas há algo que deve ser considerado um mínimo, mesmo por ti.

"Hoje" a mãe recusou fazer mediação familiar para estabelecer a regulação do poder paternal, recusa que o pediatra seja consultado para que diga se a regulação que acharmos te é adequada, no fundo recusa sempre a intervenção de terceiros, a tal que sempre temeu, a tal que sempre lhe disse que o que ela pensava/sentia era um excesso, a tal que poderia dizer-lhe, por também ser a habilitada, isso não é o interesse superior da criança, não é o interesse superior do D., o teu filho.

A mãe diz-me que, a respeito do teu interesse superior, "não tens noção do que isso é, porque se o tivesses não te ias embora" (sic).

Eu respondi-lhe calmamente que não me ia embora, e que se o fizesse talvez ela agradecesse, mas eu apenas vou deixar de viver com ela, só isso, no mais vou estar cá para quem tenho de estar, para ti, porque eu a ti não te vou abandonar/deixar. Confesso que até por ela estaria se precisasse, mas acho que se a mãe precisar de algo de mim deve correr seca e meca para não ter de me pedir o quer que seja. Como diz a música dos Metallica, SAD BUT TRUE.

Infelizmente neste país, nesta mentalidade, vou ter de abdicar de pernoitar contigo muitas vezes, mas estarei muito longe de te abandonar, muito longe mesmo.

E nesta parte entra o lutar, evitarei a todo o custo ter de lutar por aquilo que considero adequado ao teu interesse mas, se tiver de o fazer farei chamando terceiros à colação, sejam os avós maternos (sim, mesmo esses, porque seguramente perceberão o que se passou e passa) seja recorrendo a instâncias que me desagradariam de todo recorrer.

Mas prometo-te filho, e uma promessa é uma promessa, que se sentir que a coisa não vai a bem lutarei por ti porque eu não serei seguramente ferreiro com espeto de pau.

quarta-feira, 26 de março de 2008

22.03.2008

LEALDADES

A mãe já te dera a sentença,

"Tens de tomar banho, vou só escolher a tua roupa e vou-te dar banho!" - ouvi eu a conversa que estavas a ter com a mãe no teu quarto.

Vieste direito a mim e em voz quase sumida balbuciaste:

"Quero que sejas tu..." - ao que respondi como se não te tivesse entendido,

"O quê D.?"

A mãe entretanto chamou-te, impedindo-te de repetir as palavras, e lá foste escolher a roupa com ela.

Entretanto passado um pouco perguntei-te:

"O que querias D.?"

Lá vieste com o mesmo ar de quem tem algo de muito pesado para dizer. Depois, baixei-me para estar ao teu nível e encheste-te de coragem para dizer baixinho, quase ao ouvido

"Pai, quero que sejas tu a dar-me banho, pentear, por o creme e vestir?"

"Ó D. e dizes isso assim baixinho porquê?" - perguntei morto de saber a resposta.

Encolheste os ombros e deitaste-te na cama como quem se esconde de algo.

"Sabes D. o pai terá todo o prazer em dar-te banho, mas a mãe disse que era ela que ia fazer isso, portanto tens de lhe pedir isso, faço-me entender?"

E depois o importante da mensagem,

"Sabes filho, lá porque tu queiras que o pai te dê banho isso não significa que a mãe fique chateada contigo, nem que a mãe ache que tu deixaste de gostar dela, é como nos dias em que me dizes que não queres dormir comigo, tu continuas a gostar de mim, não é? Não é por tu quereres dormir com a mãe que o pai acha que não gostas dele, eu sei que gostas."

Respondeste-me com um sorriso nos lábios e um sim.

"Como vês D. tu quereres que eu te dê banho não significa que a mãe não saiba que tu gostas dela, por isso se falares com ela acho que ela compreende. Vai lá!"

A conversa encheu-te de coragem e dirigiste-te à mãe perguntando-lhe se podia ser eu dar-te o banho, pentear, pôr o creme e vestir..., a mãe respondeu-te que sim e tu ficaste radiante de felicidade.

Autonomias

Ontem quando te fui pôr ao colégio estava apressado, tinha uma reunião às 9:00 horas em Palmela e eram 9:05 quando te estava a deixarno colégio. Por essa razão pedi-te para que andasses depressa para podermos ser mais rápidos e aceitaste-o.

Depois de passarmos o portão prendaste-me com uma surpresa, disseste-me:

"Pai, eu vou sozinho agora para poderes ir mais depressa trabalhar!"

"A sério filho, consegues?"

"Sim, não te preocupes!"

"Ok! Até logo, diverte-te e brinca muito..."

Fiquei depois a confirmar a entrada na zona das salas e lá fui descansado.

Hoje porque o padrinho J. está de férias lá te fui pôr ao colégio e reservaste-me outra surpresa, mesmo antes de sairmos de casa disseste-me,

"Pai hoje vou para a sala sozinho, outra vez."

"Ok, hoje só te levo até à entrada do colégio e depois vais sozinho, é isso?"

"Sim"

E chegados ao colégio lá te ajustei as alças da mochila para a colocar às tuas costas e despedi-me de ti.

Depois..., depois foi confirmar a entrada na zona da tua sala e seguir viagem com alguns pensamentos na alma.

Lembrei-me da natação, de como foi bom ver-te autónomo e que esse facto suplantou a tristeza de deixar de te acompanhar na água.

Lembrei-me de todas as vezes em que ficaste a chorar quando te deixava no colégio e partia como se o teu choro não me afectasse.

Lembrei-me de todas as vezes em que quis que este momento chegasse e agora chegados apenas posso dizer que a felicidade de te ver autónomo fez com que o sentimento de perda desaparecesse.

Sim, perda, porque por vezes é isso que sentimos quando tu ganhas autonomia, perdemos mais uma área de influência em ti, mas essa perda é boa para ti e para mim, essa conquista significa que tu és cada fez mais um ser individual, autónomo, singular e eu, eu sou "apenas" a pessoa que zela por ti e que te tenta fazer sentir todos os dia que o amor entre nós existe mesmo quando te tornas independente.

Parabéns pela conquista!